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OPORTUNIDADES DE INVESTIMENTO NO DOURO SUL E TERRA
FRIA
Oportunidades no
sector agro-alimentar Oportunidades no sector industrial Oportunidades no sector energético
Oportunidades no sector do
turismo
FICHA DE IDENTIDADE
TERRITORIAL Feita a caracterização do espaço transmontano e
duriense, centramos a nossa atenção nos espaços do Douro Sul e da Terra Fria. A
Beira Douro e Terra Fria Transmontana estão situadas no Interior Norte de
Portugal, em pleno coração do Vale do Douro e na Raia Castelhana a menos de duas
horas do Porto e a pouco mais de 4 horas de Madrid.
Em termos gerais,
esses dois espaços de TMAD reproduzem com fidelidade as características
económicas, culturais e sociais descritas no capítulo precedente. No entanto,
seguidamente apresentamos alguns elementos caracterizadores específicos destes
espaços.
O território de intervenção: A Beira
Douro O território designado como "Beira Douro" é composto por dez
municípios - Armamar, Cinfães, Lamego, Moimenta da Beira, Penedono, Resende, S.
João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço e Tarouca - que formam o agrupamento de
municípios do Douro Sul, estendendo-se pela margem esquerda do Rio Douro. A área
total deste território é de 1.730 km2 , com uma população de 115 mil habitantes.
A densidade populacional ronda os 66,5 hab/km2. Este foi um dos primeiros
territórios portugueses com organização administrativa própria, o que desde logo
determinou todo o seu desenvolvimento a nível social, económico e religioso, e
lhe conferiu singularidade. Esta região sofreu, ao longo dos tempos, a
influência dos seus limites montanhosos que a votaram a algum isolamento. Por
outro lado, o rio Douro e seus afluentes tiveram um peso significativo no modo
como a agricultura se desenvolveu e se assumiu como a principal actividade
económica. A riqueza cultural, a qualidade dos produtos agrícolas, as
particularidades e os costumes sociais são potencialidades que constituem, desde
sempre, os alicerces do seu desenvolvimento e da sua projecção.
O território de intervenção: Terra Fria A
Terra Fria Transmontana é um espaço com enorme tradição cultural e patrimonial,
situado na raia entre TMAD e Castela e Leão, localização esta que lhe pode
propiciar excelentes oportunidades. Este território engloba quatro municípios -
Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Vinhais - , com uma superfície de cerca de
2.839 km2, uma população de cerca de 59 mil habitantes e uma densidade: 20,7
hab/km2. Sob o ponto de vista económico, este espaço não difere das vocações
apontadas para a região de TMAD e para a Beira Douro, onde a agricultura ocupa
um lugar cimeiro, se bem que seja de registar uma diversificação da sua base
económica, onde o turismo ecológico e os serviços têm vindo a ganhar projecção
nos últimos anos.
Quadro 4: Alguns indicadores sociais da Terra Fria e Beira
Douro
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Território e Demografia |
Ano de Referência |
Terra Fria |
Beira Douro |
|
Território |
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|
Área (km2) |
2001 |
2637,6 |
1728,9 |
|
Freguesias (nº) |
2001 |
97 |
444 |
|
Demografia |
|
|
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População residente |
1991 |
60.802 |
202.923 |
|
População residente |
2001 |
58.761 |
109.108 |
|
Densidade populacional |
1991 |
19,2 |
76,9 |
|
Densidade populacional |
2001 |
18,1 |
70,0 |
|
|
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Mínimo |
Máximo |
Mínimo |
Máximo |
|
Variação populacional |
1981-91 |
-3.415 |
-1.251 |
-2.669 |
211 |
|
Variação populacional |
1991-01 |
-2.095 |
1.634 |
-2.079 |
-284 |
|
Taxa de natalidade |
2000 |
4,5 |
9,6 |
7,3 |
13,4 |
|
Taxa de mortalidade |
2000 |
10,9 |
14,0 |
10,0 |
14,3 |
|
Índice de envelhecimento |
2000 |
132,0 |
253,0 |
84,1 |
155,2 |
|
0-14 anos |
2000 |
10,5 |
14,2 |
14,8 |
17,5 |
|
15-24 anos |
2000 |
13,0 |
15,4 |
15,3 |
17,8 |
|
25-64 anos |
2000 |
46,5 |
52,0 |
46,9 |
51,8 |
|
65 ou mais anos |
2000 |
18,8 |
26,8 |
14,3 |
23,0 |
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OPORTUNIDADES NO SECTOR AGRO-ALIMENTAR
Vitivinicultura O Vinho do Porto é um dos
embaixadores de Portugal no exterior do país. A Região Demarcada do Douro (RDD)
é a mais antiga região demarcada do mundo e a sua origem remonta a 1756. Ao
longo do tempo o agricultor duriense implantou vinhas em socalcos sustentados
por muros de xisto, aliando-se às belezas naturais da região e contribuindo para
o reconhecimento pela UNESCO do Alto Douro Vinhateiro como Património da
Humanidade. A viticultura evidencia-se na zona na Beira Douro, principalmente
nos concelhos pertencentes à Região Demarcada do Douro (Armamar, Lamego, Tabuaço
e São João da Pesqueira). É a indústria agro-alimentar com maior expressão na
região, pois a produção de uvas é feita numa vasta área e detêm um volume de
produção significativo, enquanto que uma parte significativa da embalagem,
rotulagem e distribuição é feita na zona do Porto, principalmente no que diz
respeito ao vinho com o mesmo nome, o Vinho do Porto, que constitui grande parte
da produção vinícola. Mas este cenário tem vindo a ser alterado, sobretudo pela
criação de um entreposto comercial no Douro e com a relativa liberalização do
mercado, bem como pela aposta decisiva nos vinhos de mesa de alta qualidade. É
notório que houve uma melhoria significativa da qualidade dos vinhos de mesa
produzidos na região, o que aliado à sua tradição, tem proporcionado uma
excelente penetração no mercado nacional e internacional. Globalmente, o seu
volume de comercialização tem aumentado nos últimos anos, apenas registando
quebras pouco significativas quando os mercados consumidores têm períodos de
crescimento menores.
PRODUÇÃO DE VINHO NA REGIÃO DEMARCADA DO DOURO
|
Anos |
Mosto Generoso |
Aguardente adicionada |
Vinho do Porto |
Vinho não Beneficiado |
|
1997 |
131.917 |
34.689 |
166.606 |
48.002 |
|
1998 |
122.950 |
33.489 |
156.439 |
23.614 |
|
1999 |
155.866 |
43.107 |
198.973 |
115.430 |
|
2000 |
152.524 |
42.030 |
194.554 |
86.484 |
Unidade: pipas de 550 litros
Relativamente aos tipos de vinho comercializado denota-se um
crescente aumento da importância dos Vinhos do Porto de categorias especiais,
onde se incluem os "Vintage", "LBV", "Data de Colheita", "Indicação de Idade",
"Vintage Character" ou "Leve Seco". A diferença de preços entre os vinhos de
categorias especiais e dos vinhos correntes principalmente "Ruby" e "Tawny" ) é
substancial. Os principais mercados do Vinho do Porto são a França, Holanda,
Portugal, Bélgica, Luxemburgo e Reino Unido, por ordem de importância de volume.
Os países da União Europeia absorvem cerca de 90% do volume comercializado.
Contudo, o EUA têm vindo a assumir um papel cada vez mais relevante, sendo o
sexto mercado consumidor em volume, pois o tipo de vinho consumido é na sua
maioria de categorias especiais e, consequentemente, de elevado preço e valor de
comercialização. Em resumo, nos últimos dez anos (1991 - 2000)
assistiu-se:
- a crescimentos sucessivos nas vendas, quer em quantidade (com
excepção do ano seguinte à suspensão das vendas a granel, 1996), quer nos preços
médios em termos nominais; - ao aumento da representatividade das categorias
especiais (6,9% em 1991; 12,3% em 2000); - ao "disparar" de alguns mercados
particularmente valorizadores do produto, como os EUA (+15,0% de taxa de
crescimento média anual composta no período) e o Canadá (+28,5%).
COMERCIALIZAÇÃO DE VINHO DO PORTO - 20 principais
mercados

Nestas condições, as oportunidades de
negócio relacionadas com o sector vitivinícola centram-se: -
na aquisição de quintas produtoras de Vinho do Porto: tendo em conta a
legislação actual, que impõe constrangimentos ao aumento da área de produção, a
melhor via para entrar no sector produtivo é a aquisição de quintas no
Douro. - no desenvolvimento de negócios na cadeia produção -
transformação - comercialização, proporcionadas pela abertura do
sector. Estas perspectivas centram-se sobretudo na possibilidade de alargar
mercados internos e externos, através da:
- criação de empresas de serviços relacionadas com
a embalagem, marketing, design e a internacionalização do produto. - criação
de empresas para o aproveitamento/tratamento de subprodutos da cadeia produtiva
do vinho do porto, apoiadas pelo sector de investigação instalado na
região.
Frutos frescos
A fruticultura é um sector que
tem mostrado grande dinamismo nos últimos anos. As cooperativas e as empresas
privadas comercializam a produção a fruta, principalmente a maçã, para as
centrais de compras ou para os mercados abastecedores do Norte e Centro do país,
assim como para os produtores com grande capacidade de armazenamento e
principalmente de frio. Na Beira Douro a produção de maçã representa cerca de
30% da produção de maçã nacional, com volumes de produção que rondou as 80 mil
toneladas em 2001. Os principais municípios na produção de maçã são Armamar,
Lamego, Moimenta da Beira e Tarouca. Saliência ainda para a grande capacidade de
frio instalada na região. No que concerne à produção de cereja, esta
representa cerca 43% da área cultivada no território nacional, mas apenas 23% da
produção nacional (2.800 toneladas em 2001). Estes números indiciam a
necessidade de melhorar as condições de exploração do fruto na região. Os
principais municípios produtores são Lamego e Resende. Esta produção tem vindo a
registar um crescimento significativo ao longo das duas últimas décadas, em
resultado dos plantios efectuados neste período. A principal
oportunidade de negócio relacionada com o sector frutícola é a
criação de uma empresa de aproveitamento do refugo frutícola produzido
na região, para a produção de sumos, doces, compostas e outros derivados da
fruticultura.
Frutos secos No que concerne ao sector dos
frutos secos, a região possui uma grande tradição na sua produção, assumindo a
liderança nacional em termos de áreas cultivadas e na sua produção. Dentre os
frutos secos, devemos destacar, pela sua importância produtiva, a castanha e a
amêndoa.
Assim, a região produz cerca de 78% do total da castanha
produzida no país (cerca de 21 mil toneladas em 2001), e 74% da produção total
da amêndoa produzida a nível nacional. A produção de castanha está concentrada
nos municípios da Terra Fria, enquanto que a amêndoa possui o seu solar na
região do Douro.
Devemos igualmente referir que a qualidade destes
produtos motivou o seu processo de certificação, sendo hoje identificadas três
DOP para estes produtos. Estas produções tem algum peso nos rendimentos dos
produtores, mas ainda é muito comum a venda por grosso e essencialmente a
empresas extra-nacionais, para posterior transformação. Este facto, torna uma
vez mais, este sector atractivo para investimentos na transformação e
comercialização da castanha desde a sua região de
origem.
Produtos com tradição - saberes e sabores da
terra Como já temos vindo a referir ao longo deste trabalho, muitos
dos produtos da região passaram por um processo de certificação que lhes garante
a genuinidade e tradição de fabrico: são os produtos tradicionais, detentores de
certificações DOP, IGP, ETG . Esta certificação tem contribuído decisivamente
para a sua preservação, divulgação e promoção produtiva, e tem motivado o
aparecimento de uma pequena indústria artesanal, ligada à sua produção e
comercialização. No quadro seguinte, estes produtos são apresentados.
PRODUTOS TRADICIONAIS CERTIFICADOS DA REGIÃO
|
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Produtos Certificados |
Produtos em via de certificação |
|
Carnes |
Carne mirandesa (bovinos) (DOP) Cabrito transmontano (DOP) Codeiro
bragançano (DOP) Borrego terrincho (DOP) |
|
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Queijo |
Queijo Terrincho (DOP) Queijo de cabra trasmontano (DOP) |
|
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Salsicharia |
Alheira de Mirandela (ETG) Chouriça de Carne de Vinhais (IGP) Salpicão
de Vinhais (IGP) |
Presunto de Lamego Salpicão de vinha d´alhos Linguiça de vinha d´alhos
|
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Azeites |
Azeite de Trás-os-Montes (DOP) |
|
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Mel |
Mel do parque de Montesinho (DOP) |
|
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Outros frutos |
Castanha da Terra Fria (DOP) Amêndoa Douro (DOP) Castanha dos Soutos da
Lapa (DOP) |
|
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Sector Frutícola |
Maçã bravo esmolfe (DOP) Maçã da Beira Alta (IGP) |
Cereja do Douro |
DOP: Denominaçãode Origem Protegida; IGP: Indicação
Geográfica Protegida; ETG: Especialidade Tradicional Garantida
Sendo forçoso admitir que a actual dimensão produtiva destes
produtos não é compatível com um mercado de larga escala, é igualmente
importante afirmar que a sua vocação para a distribuição em nichos de mercado
seleccionados, tanto nacionais como estrangeiros, com elevado poder de compra e
sensível ao atributo tradição, apresenta-se como uma oportunidade de
negócio a explorar. Os investimentos indicados para esta área estão
ligados às questões do aumento da produção destes produtos (criação de unidades
de produção de produtos transformados) e reforço da componente de
comercialização e marketing.
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OPORTUNIDADES NO SECTOR
INDUSTRIAL
Rochas Ornamentais A extracção e transformação de rochas
em TMAD continua a aumentar, representando já 17% da produção total nacional, no
que diz respeito ao granito. O volume de negócios transaccionado anualmente
representa mais de cinco milhões de euros e a produção de rochas ornamentais
ascende a perto de 90 mil toneladas. Números que põe a região em segundo lugar
em termos nacionais. Nesta região, o granito, que existe com abundância e
qualidade suficientes para justificar a existência de uma indústria extractiva,
é de longe a rocha mais importante.
Além do granito, são também
produzidos, embora com menor importância, outros recursos, alguns dos quais
únicos no país, como são o caso do serpentinito e da ardósia.
Como pontos
fortes, temos a tradição nacional no trabalho da pedra, a existência de reservas
em boas condições e sem perspectivas de esgotamento a médio prazo e a
diversidade da oferta das rochas.
As oportunidades de negócio nesta área
circunscrevem-se preferencialmente numa escala nacional, se bem que existem
possibilidades de crescimento junto de mercados europeus, sobretudo para a
colocação de produtos graníticos para utilização na construção civil, sobretudo
pela qualidade do trabalho executado em Portugal nesta matéria. Assim, a
utilização do granito na sua vocação ornamental, mercado inexplorado na região,
possui capacidade de crescimento, gozando das potencialidades apontadas
anteriormente.
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OPORTUNIDADES NO SECTOR ENERGÉTICO
Energia eólica Após uma primeira vaga de
investimentos mais direccionados para os pequenos aproveitamentos
hidroeléctricos, as atenções e os interesses parecem agora voltar-se para os
parques eólicos, uma vez que a região dispõe de condições particularmente
favoráveis para a produção deste tipo de energia e que os respectivos projectos
técnicos e os investimento correspondentes parecem ser mais fáceis de
concretizar e as taxas de rentabilidade mais elevadas. A experiência
acumulada neste domínio, quer localmente, quer noutras regiões do país e do
estrangeiro, recomenda, no entanto, alguns cuidados no sentido de, por um lado,
garantir que uma parte dos investimentos e das mais valias geradas sejam fixadas
na região e de, por outro lado, a exploração destes recursos não comprometa os
objectivos e a estratégia de desenvolvimento preconizada para a região,
centrados sobre a qualidade paisagística e ambiental do seu território. O
vento é uma fonte de energia limpa e inesgotável. As centrais eólicas apresentam
um impacto ambiental quase nulo, não contribuem para o aumento da emissão de
gases na atmosfera causadores do "efeito estufa" (como acontece com a produção
de energia eléctrica obtida a partir da queima de fósseis - carvão, petróleo,
gás natural, etc.) e não produz ou utiliza qualquer material radioactivo, por
isso, esta forma de energia parece ser o caminho mais correcto e racional para a
produção de energia eléctrica. Deve ser referida igualmente as excelentes
potencialidades da região para a produção deste tipo de energia, consubstanciada
pelos investimentos já realizados nesta área. O aproveitamento da energia
eólica para produção de electricidade é feito recorrendo aos aerogeradores de
grande dimensão, os quais podem ser implantados em terra ou no mar e estar
agrupados em parques ou isolados. São constituídos por uma torre metálica com
uma altura que pode oscilar entre 25 e 80 m e por turbinas com duas ou três pás,
cujos diâmetros de rotação se situam em valores idênticos à altura dos postes.
As turbinas de última geração têm uma capacidade de produção de energia de 1.6-2
MW. A velocidade mínima do vento necessária para entrarem em funcionamento ronda
os 10-15Km/h e a velocidade de cruzeiro é de 50-60 Km/h. Em caso de tempestade
as pás e o rotor são automaticamente travados quando a velocidade de vento for
superior a 90 Km/h. Uma vez travado, o aerogerador pode suportar velocidades de
200Km/h sem sofrer danos. Possuem ainda protecção contra raios e
microprocessadores que permitem o ajuste continuado do ângulo das pás às
condições de vento dominantes e a manutenção de um output de corrente eléctrica
uniforme, condição que é muito importante quando se encontram ligados à rede de
distribuição eléctrica. A título de exemplo, um parque eólico com 20
aerogeradores ocupará em média um quilómetro quadrado. No entanto, ao contrário
de outras centrais eléctricas, apenas 1% é ocupado pelas estruturas. Se os
terrenos forem de aptidão agrícola esta actividade poderá desenvolver-se até às
bases das torres e quando o período de vida útil dos aerogeradores termina
(cerca de 20 anos), podem ser facilmente removidas todas as estruturas,
devolvendo o local ao seu uso original ou outro estabelecido no plano de
exploração do parque. O valor deste material para reciclar geralmente compensa
os custos do desmantelamento, sendo, contudo, conveniente prever uma verba para
este fim aquando da elaboração do plano. O balanço energético de um parque
eólico é dos mais atractivos em termos de planeamento energético mundial, sendo
a energia gasta para instalar, operar e manter um aerogerador produzida por este
em menos de seis meses. A electricidade produzida tem, hoje em dia, um preço
competitivo. Em termos anuais, os custos da energia decresceram de 35$00/kWh em
1980 para 10$00/kWh em 1996. Para investimentos privados (períodos de
amortização menores e taxas de juro mais altas), os custos são cerca de 1.7
vezes superiores. Quando passarem a ser contabilizadas as externalidades (custos
indirectos para o meio ambiente do aproveitamento das diferentes fontes de
energia, por exemplo) este tipo de electricidade será, então, dos mais
competitivos.
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OPORTUNIDADES NO SECTOR DO
TURISMO
Hotelaria Trás-os-Montes é um destino
turístico que está circundado a norte e a leste pelas regiões espanholas de
Galiza, Castela e Leão, a oeste pelo Minho e a sul pelo Douro. Esta região
possui uma riqueza termal, uma beleza agreste que cativa, seduz e envolve todos
quantos a visitam e ainda uma natureza que convida à prática de vários desportos
incluindo a caça e a pesca, possuindo também aldeias rurais onde se mantêm vivos
os mais ancestrais costumes com modos de organização e produção comunitários.
Disto são exemplo as aldeias de Guadramil e Rio de Onor situadas no Parque
Natural de Montesinho. Na cultura, e para além de museus e locais de exposição,
começam a ter visibilidade os encontros de música da Casa de Mateus, com mais de
meia centena de concertos de Música Clássica, Jazz, Canto e Música Barroca. Para
além disso, a região está a dotar-se de infra-estruturas culturais de grande
impacto, como são os teatros de Bragança e Vila Real. Nesta região
encontra-se também uma variada e rica gastronomia: os enchidos, o presunto, as
trutas recheadas, a posta à mirandesa, o javali e a lebre estufada a terminar
com sobremesas conventuais. São algumas das especialidades que esta região tem
para oferecer a todos os que a visitam.
A Terra Fria está inserida na
região de turismo do Nordeste Transmontano e dela fazem parte as seguintes áreas
protegidas: Parque Natural de Montesinho (parte norte dos Concelhos de Bragança
e Vinhais) e o Parque Natural do Douro Internacional (parte do Concelho de
Miranda do Douro).
Caracterizada pela sua extraordinária paisagem, pelas
suas áreas protegidas, ou ainda pela monumentalidade do seu património, a Beira
Douro inserida na Região de Turismo do Douro Sul, atrai pela fama dos seus
vinhos (vinho do Porto e o vinho do Douro) e pela conhecida gastronomia
tradicional, aliada à hospitalidade e aos usos e costumes que definem o perfil
das suas gentes. Falar deste destino é necessariamente falar do Rio Douro, das
suas vinhas em socalco, dos Solares, das Quintas onde se produz o tão famoso
vinho do Porto e das seculares romarias (romaria da Nossa Senhora dos Remédios e
as festas das Vindimas) que se realizam por toda a região. A paisagem é toda ela
de enorme atractivo. Das cercanias serranas às margens do Rio, da beleza
silvestre selvagem aos socalcos da videira domesticada, passando pelas
amendoeiras e cerejeiras em flor, desdobra-se esta paisagem circular num
conjunto de tons e colorações, consoante a época do ano e o local escolhido. A
herança medieval é também intensa e profunda. Castelos como o de Penedono e o de
Lamego recordam a cada instante a importância estratégica que o Douro sempre
assumiu na história. Os visitantes têm ainda à sua disposição um conjunto
monumental que representa cerca de 40% do património classificado do país. Como
exemplo: a Sé de Lamego, a Igreja de Almacave, o Santuário da Nossa Senhora dos
Remédios e o Museu de Lamego. O artesanato característico assenta em peças de
vime, verga, tanoaria, não esquecendo as capas e croças serranas, e as mantas de
farrapos.
A região da Terra Fria possui 20 unidades hoteleiras nas
modalidades de hotel, pensão, hotéis-apartamentos, apartamentos turísticos,
aldeamentos turísticos, motéis, pousadas e estalagens com um total de 430
quartos. Vinhais não possuía em Julho de 2000 qualquer género de unidade
hoteleira. Bragança é o Concelho onde o número destas unidades é mais elevado.
Nesta região existem 2 hotéis, um situado em Bragança e outro em Miranda do
Douro. Já o número de pensões é mais significativo com 16 unidades. Todos os
Concelhos possuem pelo menos uma pensão, excepto Vinhais onde não existe
qualquer tipo de unidade hoteleira. A estada média nesta região não excede, em
qualquer das unidades existentes, os 2 dias. Os valores totais da taxa de
ocupação não são muito elevados variando entre 7% a 22%. A maior contribuição
para este valor final provém em primeiro lugar da taxa de ocupação dos outros
estabelecimentos (com quase 53%) e em segundo lugar dos hotéis que contribuem
com 14%. As receitas nos estabelecimentos hoteleiros em 2000 foram de 2562 (103
€). Sendo o concelho de Bragança o que mais contribuiu para este total. O número
de pensões nesta região é superior aos restantes estabelecimentos hoteleiros e é
destes que provêm os maiores valores de receitas.
A região da Beira Douro
é servida por 16 unidades hoteleiras nas modalidades de hotel, pensão,
hotéis-apartamentos, apartamentos-turísticos, aldeamentos-turísticos, motéis,
pousadas e estalagens com um total de 433 quartos. Armamar, Sernancelhe, Tabuaço
e Tarouca não apresentavam em Julho de 2000 qualquer estabelecimento hoteleiro.
Lamego é o concelho onde se encontram um maior número de estabelecimentos
hoteleiros. São as pensões que surgem em maior abundância nesta região. À
excepção de Armamar, Penedono, Sernancelhe, Tabuaço e Tarouca todos os concelhos
da Beira Douro têm pelos menos uma pensão. Cinfães apresar de só ter um
estabelecimento hoteleiro (pensão) possui mais elevada estada média (14 dias) ao
passo que a maior parte dos restantes Concelhos registam valores que rondam os 2
dias. Dado à maior abundância de pensões na região é nelas que se verificam uma
maior permanência média. Os valores totais da taxa de ocupação não são muito
elevados variando entre 7% a 28%. A maior contribuição para este valor final
provém em primeiro lugar da taxa de ocupação dos hotéis (quase 33%) e em segundo
lugar de outros estabelecimentos que contribuem com 22%.
A análise destes
dados, aliada ao conhecimento da procura que se verifica na região, permite
afirmar que a região possui capacidade para albergar duas novas infra-estruturas
hoteleiras, sobretudo unidades de categoria média-alta e alta, com uma
localização preferencial nas proximidades dos dois principais pólos dos
espaços tratados neste documento: Bragança e Lamego. Preferencialmente, estas
duas unidades deverão inserir-se na categoria resort, com uma oferta qualitativa
adequada e incorporando actividades de ocupação e animação dos tempos livres,
aproveitando o manancial de recursos naturais, paisagísticos e culturais da
região.
Animação Turística Como temos vindo a
referir ao longo deste trabalho, a região de TMAD possui um conjunto
significativo de recursos turísticos - termais, fluviais, ecológicos,
patrimoniais e outros - que são um importante capital para o desenvolvimento do
sector.
Em termos de turismo fluvial, este circunscreve-se aos cruzeiros
organizados no rio Douro, gerido por operadores privados, que na sua maior
parte, se encontram sediados fora da região. Este tem sido um dos negócios
turísticos com maior sucesso, marcado por um forte crescimento da procura nos
últimos anos. O número de passageiros transportados pela navegação fluvial
turística tem vindo a aumentar (passou de 6440 em 1994 para 95400 em 1999). A
oferta é organizada em torno de packages relativamente rígidos, que incluem todo
o apoio logístico necessário aos circuitos. Esta situação limita a obtenção de
mais-valias para a região, se bem que esta própria demonstre uma incapacidade na
captação deste público, por não possuir uma oferta complementar estruturada que
possa ser incluída nos diversos packages. O turismo termal tem vindo a
registar uma lenta progressão positiva desde 1995, com o aumento da quota de
TMAD na frequência termal nacional, que passou de 8,8% para 10,3%. Neste período
registou-se um acréscimo de aquistas de 2% (de 8745 para 8926). Na maior parte
das estâncias, a procura aumentou desde 1995 até 1997, tendo decrescido muito
ligeiramente em 1998, excepção feita a Aregos que registou uma subida de 5%
nesse mesmo ano.
O ecoturismo encontra-se numa fase relativamente
incipiente de desenvolvimento, apesar dos vastos recursos que a região
disponibiliza para a sua prática: os parques naturais da região, os seus
recursos hídricos e a forte e marcada presença da montanha em praticamente todo
o território.
O turismo patrimonial, associado ao património histórico,
natural e arquitectónico tem conhecido na última década um forte impulso,
consubstanciado pelo aparecimento de Rotas Temáticas - Rota Medieval, a Rota do
Vinho do Porto e a Rota dos Vinhos de Cister. Estas desenvolvem-se em torno de
eixos rodoviários e associam um conjunto de promotores privados, ligados ao
sector da gastronomia e hotelaria.
Nos domínios atrás referidos, existe
um vasto leque de oportunidades de investimento associados a cada um destes
segmentos turísticos identificados: criação de empresas de animação
turística, ligadas às actividades de tempos livres, ecoturismo e turismo
fluvial.
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